
Dez erros comuns ao planejar móveis e como evitar cada um
Os erros que mais custam em móveis planejados acontecem antes da fabricação e aparecem no projeto executivo. Veja os dez mais frequentes, na ordem em que surgem, e o que conferir em cada um.
Os erros que mais custam em um projeto de móveis planejados acontecem antes da fabricação: eletrodoméstico escolhido depois do desenho, tomada no lugar da gaveta, profundidade que não comporta o cabide. Todos aparecem no projeto executivo, o conjunto de desenhos com as medidas finais, e ali podem ser corrigidos sem refazer nada. Os dez a seguir estão na ordem em que costumam surgir.

Antes do desenho, eletrodomésticos e pontos precisam estar definidos
1. Fechar a cozinha antes de escolher os eletrodomésticos
Forno, micro-ondas, cooktop, lava-louças e geladeira têm medidas de nicho próprias, informadas no manual, e cada um exige uma folga de ventilação. A geladeira encostada em uma parede lateral precisa de um afastamento para que a porta abra além de 90 graus, ou as gavetas internas não saem. Escolha os modelos antes do projeto executivo e entregue os manuais ao projetista. A compra pode ficar para depois, mantido o modelo.

2. Deixar tomada e ponto de água atrás de gaveta
A gaveta ocupa quase toda a profundidade do módulo. Uma tomada com o plugue atrás dela obriga a encurtar a gaveta, e o sifão debaixo da cuba colide com a primeira gaveta se o desenho não previr um recorte. As tomadas de forno e de lava-louças ficam no módulo vizinho ou abaixo do aparelho, nunca atrás dele. A posição de cada ponto sai do projeto da marcenaria, e por isso convém contratar a marcenaria antes de o eletricista fechar a parede.

3. Deixar a iluminação para depois
O canal do perfil de LED é usinado na fábrica, e a fonte de alimentação precisa de tomada e de acesso. Luz acrescentada com o móvel pronto fica sobreposta e com fio aparente. A matéria sobre iluminação integrada à marcenaria explica o que definir.

No desenho, as medidas internas valem mais do que a aparência
4. Errar a profundidade
Um cabide com roupa ocupa perto de 60 cm. Por isso o guarda-roupa costuma ter entre 55 e 60 cm livres por dentro, e o modelo com portas de correr precisa de alguns centímetros a mais, ocupados pelos trilhos. Na cozinha, a bancada fica em geral entre 60 e 65 cm de profundidade e o armário aéreo, entre 30 e 40 cm. Pergunte sempre pela profundidade interna útil, e não pela externa.


5. Colocar prateleira onde deveria haver gaveta
Debaixo da bancada, uma prateleira funda obriga a se abaixar e a tirar o que está na frente para alcançar o que está no fundo. O gavetão com corrediça de extração total, o trilho que deixa a gaveta abrir até o fim, traz o conteúdo para fora. A referência é ter gavetas na maior parte dos módulos de baixo, com alturas diferentes: rasas para talheres, altas para panelas. Na Evviva, as corrediças são ocultas e têm amortecimento embutido.

6. Escolher puxador que agarra na roupa ou bate na parede
O puxador saliente, na altura do quadril e em passagem estreita, prende bolsos e alças. Ao lado de uma parede, impede a porta de abrir por inteiro e marca a pintura. No canto de uma cozinha em L, o puxador de uma gaveta bate na frente da gaveta perpendicular, e o desenho precisa de um enchimento, uma régua de afastamento, entre os dois lados. As alternativas são o perfil cava, um rebaixo na borda da porta que serve de pega, e o fecho de toque.

7. Desenhar portas e gavetas sem conferir a abertura
Toda porta e toda gaveta varrem um espaço ao abrir. A porta da lava-louças aberta ocupa cerca de 60 cm do corredor. A porta do quarto pode bater no guarda-roupa, e a do guarda-roupa, na cama. Na cozinha, a circulação entre duas bancadas costuma ficar entre 90 e 120 cm. Peça a planta com os arcos de abertura desenhados.

No encontro com a obra, o móvel depende do que está em volta
8. Esquecer rodapé, forro e cortineiro
O armário encostado na parede pede que o rodapé seja interrompido ou recortado naquele trecho. O forro de gesso rebaixado depois da medição reduz a altura do vão. A sanca e o cortineiro, o rebaixo que esconde o trilho da cortina, podem impedir a porta alta de abrir. Entregue o projeto de gesso ao projetista.

9. Cobrir registros, quadro de luz e shafts
Registro de água, caixa de passagem, quadro de luz e shaft, o enchimento que esconde as tubulações do prédio, precisam de acesso. Um painel fixo sobre qualquer um deles transforma um reparo simples em desmontagem. O desenho deve mostrar a tampa removível ou a porta que dá acesso a cada um.


10. Aprovar pela imagem e não pelo detalhamento
A imagem em 3D mostra a aparência. O que segue para a fábrica é o detalhamento, com a medida de cada peça, o sentido de abertura de cada porta e a divisão interna. Quem aprova olhando só a imagem descobre na instalação a prateleira que faltou. A matéria sobre medição e projeto executivo traz a lista do que conferir.

Três documentos entregues ao projetista antes do desenho final evitam boa parte desses erros: os manuais dos eletrodomésticos, o projeto de gesso e a planta de pontos elétricos e hidráulicos.
Perguntas frequentes
Qual o erro mais comum em cozinha planejada?
Definir os armários antes dos eletrodomésticos. Cada aparelho tem medidas de nicho e exigência de ventilação diferentes, e trocar o modelo depois da fabricação costuma exigir adaptação no móvel.
O que não pode faltar em uma cozinha planejada?
Gavetões nos módulos de baixo, tomadas na altura da bancada em quantidade suficiente, lixeira com lugar definido e iluminação sobre a área de preparo. São itens de uso diário, mais sentidos do que qualquer acabamento.
Qual a profundidade mínima de um guarda-roupa planejado?
Para pendurar roupa em cabide de frente, a referência de projeto é de 55 a 60 cm livres por dentro. Abaixo disso, o cabide precisa ficar de lado, em um cabideiro frontal, ou o móvel passa a servir só para roupas dobradas.
Puxador cava ou puxador externo: qual escolher?
A cava não tem saliência e é indicada para passagens estreitas e para cozinhas em L. O puxador externo dá pega mais firme em portas pesadas e gavetões cheios. Vale testar os dois com a mão antes de decidir.
Depois de aprovado, dá para mudar o projeto de móveis planejados?
Antes de a produção começar, a alteração é uma revisão de desenho. Depois, a peça já cortada precisa ser refeita, com custo e novo tempo de fabricação. Por isso a conferência do detalhamento merece calma.
Fontes consultadas: Evviva, Catálogo Diferenciais (corrediças ocultas com amortecimento)



